sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

De volta para minha saudosa maloca

Poix, acabou-se o que era doce e amanhã (sim, sim, amanhã mesmo, verifique seu calendário) estou voltando para o cantinho de fim de mundo de onde sai (é de Porto Alegre que estou falando, por óbvio, não de Vacaria, né - também não vamos exagerar). Aqui em Madri, onde estou escalada no sofá da Lúcia de novo, outro dia achei rolando pelo apartamento uns cartões postais deste meu velho lar e, nossa, francamente, que cidade bem horrorosa! Nem mesmo no postal cidade é bonita, sendo que devem ter colocado a melhor foto tirada por um profissional e posteriormente photoshopada com técnica, deusolivreguarde!
Mas, ainda assim, já dizia Dorothy, ao bater os calcanhares dos sapatinhos vermelhos (mágico de oz, lembra?) que não há lugar como o lar, entonces, vou admitir, assim, só entre nós, e não me vá espalhar para mais ninguém, já que não querem que pensem que eu não sou cosmopolita prafrentex, que eu já tava mesmo enjoada dessa tal de zoropa, lugarzinho mais primitivo.

Além disso, cabe mencionar que os meus sapatinhos vermelhos ficaram todos em Porto Alegre...

P.S. O Leo já voltou, por sinal. O menino estava tão ufanista que dizia aos quatro ventos que no Brasil sim que as coisas funcionavam e que a catedral de Porto Alegre, a qual, apesar de sua obsessão pouco saudável por igreginhas de todos os calibres, creio que ele nunca nem entrou na vida, não perdia nem um pouco pra essas igrejas que são vistas pelo velho continenete afora, que as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá, etc, etc...

Heidelberg





Porque eu vim do interior, gosto das cidades pequenas.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Retrospectiva

Aproximadamente quarenta cidades, uma calça rasgada na bunda, duas fivelas das botas (uma de cada pé) arrancadas, três viagens de trem noturno, catorze viagens de ryanair, incontáveis souvenirs dos mais diversos tipos, cores e sabores, três guarda-chuvas virados, muitas calcinhas e meias lavadas no banheiro e secadas no aquecedor, um gorro perdido, um cachecol perdido e readquirido, um abafador de orelhas desaparecido, três frasquinhos de sorine, duas alças da mochila rasgadas (e recosturadas), uma roupinha de papai noel comprada para a Pipoca (must have), um pijama queimado, uma toalha abandonada em Porto, outra em Heidelberg, e mais uma em Madri (esta última doada para caridade: Lúcia).

Veja essa:

Enfim, momento quote:
"Mozart era tipo um Michael Jackson da época" by Leonardo, fazendo uma paralelo entre os artistas, já que ambos faziam sucesso desde a tenra infância, eram excêntricos e morreram subitamente de forma misteriosa.

Naqueles tempos em que eu usufruía da assinatura semanal do meu papito, eu sempre começava pelo Veja essa.
Mas, como assim, relógio d'água? Será que Maricota voltou anonimamente para Porto Alegre e foi flagrada por um paparazzi no bom e velho Iguatemi?
Não, não,minha gente. Não há motivo para comoções sociais, nem tampouco para correr até a Mariland (terra da Mari, um ótimo trocadilho realmente), é só que em Berlin tem um relógio d'água igualzinho ao do Iguatemi.

Berlin Mauer




Em Berlin, nas boas lojas de souvenir, é possível adquirir seu próprio pedacinho do muro. Acho que, por um lado, a comercialização do muro é uma forma última de humilhação ao comunismo, e, por outro, é uma baita pilantragem. Ora, é de se perguntar, quando o muro caiu, alguém já foi lá se adiantando para recolher os destroços, prevendo a possibilidade econômica de vendê-los? ou então, sempre que começa a se esgotar os estoque, vai-se lá para dar uma quebradinha na parte do muro que sobrou e conseguir mais mercadoria? E, em última análise, o que afinal de contas é isso, a transformação do símbolo da guerra fria em relíquia? Seja como for, aposto que, juntando todos os pedacinhos já vendidos nos últimos vinte anos, é possível fazer a muralha da China.

Parafraseando Drummond

Com o russo em Berlin...
meu copel velho...
camarada Marx, uma figurinha esse cara...

check point, fácil de entrar e difícil de sair...
Chegando com o russo em Berilin:

(...)

Esperei (tanta espera), mas agora,
nem cansaço nem dor. Estou tranqüilo.
Um dia chegarei, ponta de lança,
com o russo em Berlim.

O tempo que esperei não foi em vão.
Na rua, no telhado. Espera em casa.
No curral; na oficina: um dia entrar
com o russo em Berlim.


(...)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

the hills are alive...





Ainda no preenchimento de buracos no roteiro (e com o fim último de não ir mesmo-nem-que-a-vaca-tussa para Cracóvia) fomos para Salzburg.


Ah, este é exatamente o mesmo quiosque da musiquinha "I'am sixteen going on seventeen...". Infelizmente, ele é mantido trancado desde que uma velhinha quebrou o quadril enquanto pulava de uma banco para o outro, ao tentar dançar e cantar como na cena do filme.

Mr. Mickey Mouse for president


Já não é de ontem que tenho cultivado a idéia de que se deveria pegar aquela listinha da unesco de locais patrimônio da humanidade e entregar a administração dos benditos para Disney. É, pode parecer loucura, mas vamos vencer este preconceito e parar para pensar sobre o assunto. Nunca aconteceu de você, caro telespectador, fazer toda uma dura jornada por esse mundão afora, tão-somente para ver um certo lugar X, chegar lá, e o negócio estar fechado, ou sujo e pouco cuidado, ou os atendentes serem incompetentes e mal educados, ou os banheiros mais fedidos que a Adubos Trevo S.A., em resumo, uma completa decepção? Neste momento, é de se pensar: como que esse pessoal pode ter tão pouca visão? Don't they know their business? Ora, esse tipo de coisa nunca aconteceria na Disney. pois quem já foi sabe que até a última gota de veia turística é explorada competentemente (e os banheiros são limpos). E, se partindo do nada, constroem se nos parques coisas fabulosas, uma terrinha dos sonhos, então imagina o que não se poderia fazer com as coisas de verdade. Ok, talvez tudo isso seja uma medida um tanto drástica, porém, seja como for, o que eu quero dizer é que a administração dos pontos turísticos deveria "pensar disney".

As fotos abaixo apenas demonstram meu ponto, pois são de locais super extra disney, tendo algum deles até mesmo inspirado a própria e excelsa empresa em toda a sua glória:

Essas duas fotos acima foram tiradas em uma cidadela da Bavária, tendo na verdade uma pequena historinha de fundo. É que, certa feita, quando o Leonardo resolveu inventar que queria ir para Cracóvia (sim, sim, vai entender), diante das minha enfáticas negativas, fui indagada para onde diabos então eu queria ir (naquele tempo - leia-se duas semana atrás- tínhamos um buraco em nosso roteiro). Foi aí que eu respondi que queria então ir ver um castelo alemão, que tinha inspirado o castelo da Bela Adormecida. Ainda que sem saber o nome ou o local preciso do dito cujo, eu sabia da existência dele, porque quando eu era criança recebi um postal da minha tia com a fotinho do bendito.
Apesar da descrença de que eu sequer fosse descobrir qual que era o tal castelo, já que não dava para por no google "castelo do postal da titia", para o embasbacamento do descrente Leonardo, o Neuschwanstein Castle, não só é famosíssimo, como é mesmo cartão postal da Alemanha.

Estas outras duas fotos são em Budapeste. A mais de cima não deixa dúvidas, qualquer semelhança não é mera coincidência. Sim, sim, é o castelhinho que sempre aparece antes do começo daqueles filmes clássicos tão adorados por toda a família pequeno burguesa que se preze. O segundo não é especialmente famoso, mais eu achei igualmente adorável.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Castelo de Sant'Angello


O castelo de Sant'Angello é na verdade construção que remonta aos tempos do ariri, sendo, no fundo, o mausoléo de Adriano. O papa, sem mostrar nenhum respeito pelo finado, certa feita, resolveu se apoderar do prédio, naquela época em que o santo padre era do pau oco, porém verdadeiro rei de Roma, sendo intolerável a história do rato roer a roupa do rei. Por isso mesmo, o castelo tem uma passagem nada secreta que dá na basílica de são pedro, esta muito explorada no tal dos "anjos e demônios". A passagem era de grande importância porque, apesar do que possam dizer as carolas, a igreja não é fortaleza, e na hora que a porca torcia o rabo o papa não podia ficar assim exposto ao fogo inimigo. A última vez que noticiadamente esta passagem foi usada foi na ocasião da unificação italiana, quando a igreja perdeu Roma para os italianos (porcamiseria), se refugiando no castelo "como prisioneiro" até àqueles bons tempos de fascismo, quando foi criado o Estado do Vaticano.

casa de Augusto



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

San Gimignano

A cidade medieval em que abunda (outro termo que eu acho divertido) todo o charme da toscana:
pena que não dá para ver nada por causa da neblina.

Ah, eu também fui!


Como diz o Asterix: "Ils sont fous ces romains!


Moises with lasers


Esta é a estátua de Moises feita por Michelangelo. Realmente, nada como um profeta garboso, parrudo e...chifrudo? Pois é, parece que, naqueles tempos, já que não havia ainda a ferramenta de idiomas do google languages, em razão de um erro de tradução do aramaico do antigo testamento, se acreditava que Moises tinha efetivos cornos... quando todo mundo sabe que quem deveria ter mesmo era aquele santo sujeito que engoliu a história da virgem Maria.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Itália, sempre igual, sempre diferente

Roma by night:Florença by night:

Porque na natureza nada se cria...

Apenas se manda derreter para fazer algo diferente, ué.



O Pantheon romano, construção que manteve melhor sua integridade arquitetônica, pelo menos, em relação aos demais prédios daqueles outros carnavais, teve em seus bons tempos seu domo recoberto por cobre, uma boas toneladas. Um belo dia, o Papa resolveu mandar derreter o tal, para fornecer matéria prima ao baldachino de Bernini, que hoje enfeita a basílica de São Pedro.

que infâme!!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

By the way, hoje fui ver a Fontana di Trevi, bem maior do que esperava e tão bonita quanto eu imaginava...

Cóptalism, cómunism? No, thank you, I would like mine with some shampoo, please

Neste preciso momento, em um albergue em Roma, mais precisamente em um six bed mixed dorm (para minha mãezinha ver as coisas pelas quais tenho que me submeter). No quarto, além da minha pessoinha e meu consorte (acho este termo muito engraçado), um português (he's okay, gente como a gente) e três turcos ou coisa parecida (leia-se morenos barbudos que falam um idioma incompreensível), os quais, por sua vez, fedem mais que o metrô de Londres em dia ensolarado. Sério mesmo, de tarde quando fizemos o check-in, reparei na janela do quarto aberta e estranhei, já que fazia frio e chuvia lá fora, mas agora compreendo que deveria ser para espairecer a enhaca inerente destas figuras. E, embora eu não entenda uma santa palavra do que dizem, percebo que um deles não para de falar algo como "cóptalism" e "comunism", ao que deduzo que ele está naquela velha doutrinação-lavagem-cerebral-da-esquerda (pois a direita já está sempre muito feliz com o statos quo para se prestar à bateção de boca à toa). Até pensei em dizer "oh, please, this talk is sooo yesterday!", porém já diz a sabedoria popular que com louco não se discute, vai que ele pense que eu sou estandarte da Paris Hilton, ou coisa do gênero. Assim, apenas fico silenciosamente me perguntando porque diabos será que todo comuna de meia-tijela supõe que para dar ênfase a sua ideologia precisa ser tão catinguento...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Torres gêmeas (de Bolonha)

Ao contrário das famosas novaiorquinas, elas ainda não caíram, ainda que já estejam se direcionando ao chão há uns bons duzentos anos. Tortas, como a de Pisa, também não têm a mesma fama, porque lhes falta o carisma do glamour decadente. Afinal, se é para cair, que ao menos seja com estilo.

Caminhando contra o vento...


Agora ando a caminhar contra o vento, com lenços e documentos (mais lenços - três recentementes adquiridos na Itália - do que documentos - apenas os suficientes para me manter no meu chique e precário statos quo). Além do vento, que já me apurrinha a paciência, há também a chuvinha rala-molha-bobo, que prova que nem tudo é sol e comédias românticas na toscana. Assim, só me resta recordar, saudosa, do céu azul sobre o lago Como, quase fronteira com Suiça, que me torrou a nuca, e onde, por sinal, foi gravado Star Wars II, para a alegria dos fãs das comédias românticas, durante o verão, é claro, que deusolivre deixar a Natalie Portman de vestitidnho tomando friagem em sua bela figura hollywoodiana.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sob o sol de Toscana


Pois é, tenho sido uma blogueira meio relapsa. Agora mesmo, estou escrevendo com muita pressa (então suponho que os erros de português também virão nos mesmos níveis galopantes de durantes a minha viagem de fim de ano - cuidado com as vírgulas enlouquecidas espalhadas só deus sabe por onde). Bom, enfim, estou escrever só para contar minha anedota do dia. Estou por cá em Toscana (sem pegar tanto sol quanto eu gostaria, porém, apenas pancadas esparsas de chuva e neve, ai ai). Apesar de estar com meu campo fixo em Florença, hoje, no ápice da minha eficiência viajante, fui para Pisa e Siena, mas também não é isso que eu tenho para contar. Estava eu em Siena, onde pegamos um ônibus de volta para Florença, pinga-pinga style, as usual. Depois da tal maratona de mini-cidades, viemos naquele dorme-acorda habitual. Lá pelas tantas, Leonrado acordou enlouquecido que queria porque queria descer, que já estávamos do lado do hotel, que era o nosso ponto e saiu fora de si do ônibus (eu ali de arrasto). Foi daí que vimos a plaquinha "centro histórico de Galuzzo".Naquele momento, eu já previ na minha cabeça que não haveria mais transporte até Florença, que teríamos que catar um outro hostel para passar a noite, neste micro-cidade desconhecida, nunca dantes navegada. Felizmente, o Leonardo teva a luz de, tão insandecido quanto desceu do ônibus, sair correndo e batendo na porta do ônibus até o motorista nos deixar entrar de novo.